BALÕES PORTUGAL

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domingo, 19 de outubro de 2014


FOTOS DE BALÕES LANÇADOS
NO S. JOÃO DO PORTO/2014 (1ª Parte)


Postamos a partir de hoje, a primeira série de fotos de outros balões lançados na noite de S. João do Porto/2014, onde ainda continuam a ser enviados para o nosso blog. Mesmo passados quatro meses da festa, é grande a quantidade de imagens e vídeos que temos em nosso arquivo, do qual esperamos divulgar pouco a pouco todo o material conseguido.
Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos os amigos de BalõesPortugal pela colaboração em prol da valorização da “tradição do balão sãojoanino”, lembrando ainda a quem desejar divulgar alguma foto sobre este tema, poderá faze-lo, enviando através do nosso e-mail:                                                      baloesportugal@gmail.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


“JOEIRAS AO ALTO”
A TRADIÇÃO DOS PAPAGAIOS ARTESANAIS NA ILHA DA MADEIRA


De autoria de Marta Caires, do Jornal Correio da Venezuela e editado recentemente neste órgão de informação, deixamos aqui publicado o seu texto-reportagem sobre as Joeiras, modelo de papagaios de papel de seda, uma tradição que ainda é praticada em diversas localidades da Ilha da Madeira.
“As joeiras, a versão madeirense dos papagaios de papel, foram muito populares até ao início dos anos 80. Quando o céu passou a se encher de fios de telefones e de luz, deixou de haver espaço para as lançar ao vento dos terraços. Hoje, quase só aparecem nos concursos promovidos pelas juntas de freguesia e as casas do povo (como em São Roque), algumas já com alterações, construídas por pais e avós, homens acima dos 45 anos e que nos anos 70, passavam as tardes de Verão a lançar a joeira.
Para se perceber a importância destes brinquedos, é preciso imaginar a Ilha da Madeira há 40 anos atrás, quando nem todas as casas tinham eletricidade e telefone havia só um, daqueles pretos, na mercearia, na igreja ou em casa de alguém com posses. Nem sequer havia luz em todos os caminhos. O céu estava livre de fios cruzados e as crianças, que corriam em bandos pelos sítios, tinham poucos brinquedos. Um carrinho na Festa e mesmo assim, não era para todos.
Sem brinquedos e três meses de férias da escola, o remédio era inventar e as joeiras eram então muito populares. Não se podia dizer que fossem baratas, mas era uma coisa que se fazia com alguma segurança. O mais caro era mesmo o barbante – fio norte – que até se dava o nome de barbante de joeira. O melhor, no entanto, é explicar como é que se fazia uma joeira, os investimentos que implicavam e o prazer que dava a seguir de lança-lo ao ar.
O investimento que custava dinheiro na venda, era o barbante – quem mais tivesse, mais alto voava a joeira – e o papel de seda às cores, cuja quantidade variava consoante o tamanho. Nesta altura, este papel que se comprava às folhas na mercearia tinha o nome de ‘papel de joeira’. O resto do material arranjava-se em casa, trapos para o rabo, canas vieiras fininhas dos barrancos e milho cozido ou semilhas cozidas para colar o papel.
A qualidade do produto final dependia, depois, da habilidade do construtor. O jeitinho ajudava e uns tinham mais que os outros. Os irmãos mais velhos, primos e até o avô eram ‘mão de obra’ importante. Momento difícil era a junção das três canas. A joeira clássica é um hexágono, mas havia maiores com oito e doze lados que só conseguiam ser lançados em dias de muito vento. Unir as canas – ou meias canas no caso das joeiras mais pequenas e leves – quase sempre era com ajuda. Um segurava e o outro passava o barbante. Um furo no meio, um reforço redondo. Colado o papel, juntavam-se as guias de fio que se ligavam ao longo do barbante. O rabo era muito importante, servia de contra peso e levava pedaços de pano, quase sempre de lençóis velhos.
Acabada a construção, era ir para o terraço – quase todas as casas da Ilha da Madeira desse tempo tinham um terraço onde se lançava a joeira e se estendia a roupa – e esperar pelo vento. Um ficava a segurar o piloto, o que ficava com a espécie de guiador (um pau onde se enrola o barbante), dava a ordem para largar. E pronto, a joeira, estava no ar, primeiro ainda grande, depois mais pequena, até ficar um ponto no céu, em que já não se distinguia as cores do papel.
Em certos dias, viam-se no céu, em cada sítio, uma meia dúzia, maiores, mais pequenas, com os rabos compridos a fazer ‘esses’. O pior era quando o azar espreitava, o vento mudava e a joeira enrolava-se nos poucos fios da luz. O melhor que se podia fazer era salvar o barbante, que era caro e dava para outra. De resto, a joeira morta, ficava a rodar até ser só um esqueleto e o tempo da chuva desfazer o que restava. E os azares aconteciam, mas os rapazes de há 40 anos não desistiam e voltavam a construir e a lançar a sorte as suas joeiras às cores.”
BalõesPortugal parabeniza Marta Caires, do Jornal Correio da Venezuela, autora deste excelente texto-documentário, que enobrece e valoriza em muito a tradição dos papagaios Joeiras, como forma de uma arte popular.
Publicamos algumas imagens de vários exemplares de joeiras construídos na Ilha da Madeira, que ao longo destes últimos anos vão resistindo e preservando a sua arte.   


ILHA DA MADEIRA
XII CONCURSO DE JOEIRAS/2014 ANIMOU FREGUESIA DE SÃO ROQUE


Realizou-se também no passado dia 21 de Agosto de 2014, a XII Edição do Concurso de Joeiras, em São Roque, Ilha da Madeira. O evento, com organização da Junta de Freguesia em parceria com a Casa do Povo locais, contou com mais de 50 inscritos, de diversas idades.
A iniciativa teve início pela manhã, junto à Praceta do Encontro. Primeiramente, foram expostos todos os papagaios de papel a concurso, em que foram objeto de análise por parte dos jurados. O júri foi constituído por três elementos, um da Casa do Povo, um popular e um membro da Junta de Freguesia. O ponto alto do concurso aconteceu no momento em que foram lançadas, por várias zonas da freguesia, as joeiras em competição, de diversas formas e cores. Nessa altura, os competidores foram também avaliados pelas entidades responsáveis, que deram a classificação final. De acordo com o regulamento da prova, os primeiros lugares classificados no pódio, ganharam diversos prêmios, entre os quais se destacaram as viagens ao Porto Santo.

ILHA DA MADEIRA
IX CONCURSO DE JOEIRAS EM MACHICO/2014



Realizou-se no passado dia 22 de Junho de 2014, o IX Concurso de Joeiras na Freguesia de Machico, Ilha da Madeira. Foram vários os modelos que concorreram, sendo que um dia antes (dia 21), foi realizado uma exposição dos exemplares concorrentes na Sala de Atividades da Junta de Freguesia de Machico.
Conforme as imagens demonstram, o evento contou com boa adesão por parte de vários praticantes desta arte.