BALÕES PORTUGAL

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sábado, 29 de junho de 2013


FESTAS DE S. JOÃO DO PORTO/2013
“ATÉ A LUA CRESCEU NA NOITE DE S. JOÃO”
CIDADE ENCHEU-SE DE GENTE QUE VEIO CIRANDAR E BAILAR
FOGO DE ARTIFICIO NA RIBEIRA FOI OUTRA VEZ PONTO ALTO
CÉUS DO PORTO ILUMINADOS POR MILHARES DE BALÕES


Mais uma vez a região do Porto esteve em euforia geral com a realização da sua grandiosa Festa de S. João de 2013. Já ao fim da tarde na véspera de S. João, adivinhava-se uma das maiores enchentes que o Porto iria ter.
Milhares de pessoas – 230 mil habitam no Porto, com mais dois milhões no aglomerado metropolitano – desceram nessa noite do dia 23 à cidade, na folia de cirandar sem destino, muitas da Ribeira até à Foz, muitas mais dadas a bailar, nas rusgas de comer e beber que se ergueram informais nas dezenas e dezenas de aldeias que todas juntas são a cidade.
Por todos os lados ouviram-se o silvo de apitos na cidade. É um som pontudo e agudo, vindo das quatro direções, viajando com o vento da qual povoa o Porto desde há 50 anos. Esta tradição foi de autoria de Manuel Boaventura que naquela época meteu na mão dos estudantes da Invicta um martelo de plástico com fole que apita quando é malhado. Desde então, é uma das peças tradicionais mais usadas nessa noite que ainda divide a sua fama com os alhos-porros. 

FOGO DE ARTIFICIO

Em enxurrada, as pessoas acorreram à Baixa e antes da meia-noite estavam maciçamente na marginal para aguardar o festival de fogo-de-artifício na Ribeira nas águas do rio D’ouro. O espetáculo pirotécnico durou 15 minutos e foi outra vez digno de ser aplaudido de pé. 


FESTIVAL DE BALÕES SÃOJOANINOS


Pelo céu, milhares de balões que começaram a ser lançados no início da grande noite, percorreram o céu de toda a região iluminando ainda mais o já ambiente festivo que se vivia na cidade. Na Avenida dos Aliados, o local de maior destaque para a prática de lançamento de balões, surgiu a grande novidade através do primeiro “Balódromo” que foi criado para esse fim, num espaço cercado e reservado para esse efeito. Com o apoio da Câmara Municipal do Porto e do agrupamento baloeiro “MAUS HÁBITOS”, a iniciativa denominada "SÃO JOÃO BALOEIRO" contou com a colaboração de uma equipa brasileira liderada pelo baloeiro Luciano Britto e do artista plástico Paulo Paes que estiveram presentes no nosso país desde a semana anterior ensinando centenas de pessoas que acorreram as instalações de uma “oficina de balões” que foi criada pelo grupo “MAUS HÁBITOS” do Porto. Já o artista plástico brasileiro Paulo Paes enriqueceu a tradição dos balões, expondo numa galeria de arte as suas diversas obras sobre “Balões Pneumáticos”, da qual Balões Portugal teve oportunidade de divulgar recentemente esta exposição que ainda continuará exposta, podendo o público visitar e apreciar estas obras de arte até o dia 05 de Agosto de 2013.
Os diversos lançamentos de balões ocorreram até às 4 horas da madrugada e para além dos grupos do Brasil e Mau Hábitos do Porto, também contaram com a colaboração e lançamento de balões da Turma Arte Invicta do Porto e da Turma Lusa de Lisboa. Os destaques centraram-se no festival de 100 balões modelo “Caixa” que foram lançados em cerca de 20 minutos e para o balão de 10 metros construído no Brasil que foi lançado às 03.30 horas. Muitas pessoas pessoas que se deslocaram a Av. dos Aliados puderam assim apreciar os balões neste evento internacional que pela primeira vez se realizou em Portugal.

FESTAS DE S. JOÃO DO PORTO/2013
“A NOITE MAIS LONGA DA CIDADE INVICTA”


Percorrendo as ruas da cidade do Porto, desde a Foz do Douro, não esquecendo a baixa e terminando na histórica zona das Fontaínhas, o São João foi efusivamente festejado, com milhares de pessoas (muitos turistas estrangeiros) a comemorar o santo padroeiro da Invicta.

Martelos de plástico e alhos-porros para bater na cabeça dos transeuntes, saltar fogueiras (rezam as crónicas que a mãe de São João ateou uma no deserto para anunciar o nascimento do filho) e lançar milhares de balões de ar quente (diz-se que é uma homenagem ao Sol e à chegada do Verão) foram os elementos associados a esta histórica festa e que na noite de 23 para 24 de Junho, obviamente, não faltaram. 

Também não faltou a indispensável sardinha assada na brasa (este ano ao preço mais elevado de que há memória) ementa típica do jantar da noite de S. João, devidamente iluminada pela lua cheia gigantesca que encheu o céu, um fenómeno que só se repetirá daqui a apenas 18 anos.
O ex-libris foi o fogo-de-artifício, à meia-noite, visto das cidades de Porto e Vila Nova de Gaia e a festa terminou - como habitualmente - para os mais jovens, junto ao mar, nas praias da Foz, somente ao nascer do dia.
As imagens que deixamos resgistadas são um resumo destas grandes festividades de 2013, do qual abordaremos com maior desenvolvimento nas futuras postagens, com o desejo de que o S. João do Porto de 2014 seja ainda bem melhor.

“VIVA O PORTO CARAGO”

segunda-feira, 24 de junho de 2013



BILHETE DA LOTARIA CLÁSSICA/2013 DEDICADO A SÃO JOÃO


Já se encontra a venda por todo o país, a Lotaria Clássica cujo tema é dedicado ao santo popular “SÃO JOÃO”. O bilhete tem na sua configuração a ilustração de um conjunto de balões decorativos, que são sempre uma das peças ornamentais mais representativas dentro das tradições mais usadas durante as festividades de São João, padroeiro de duas das principais cidades do Porto e Braga. Lançado pela Santa Casa da Misericórdia, o preço de custo de cada fração é de 5 euros e “vai andar a roda” no sorteio que será realizado no dia 24 de Junho de 2013. Mais uma vez, é outra boa oportunidade para os colecionadores adquirirem estes tipos de peças dedicados as "Festas e aos Santos Populares”.

HOTÉIS DO PORTO COM OCUPAÇÃO A 95% NO FIM-DE-SEMANA DO S. JOÃO/2013
Líder da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo diz que campanha de promoção internacional da festa de S. João está a dar resultados.


A festa do S. João e a edição 2013 do Circuito da Boavista estão a lotar os hotéis da cidade do Porto, cuja taxa de ocupação para o próximo fim-de-semana rondará os 95%, avança a Aphort.
“A taxa de ocupação hoteleira para este fim-de-semana, com as corridas [do Circuito da Boavista] e com o S. João no Porto, poderá situar-se entre os 85% e os 95%”, disse nesta quarta-feira à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (Aphort).
Nos hotéis da Baixa do Porto, a taxa de ocupação está nos 100% para sábado e domingo. Já nos hotéis da zona da Boavista, a ocupação hoteleira está “bastante razoável”, situando-se entre os 80% e os 90% e com tendência a chegar aos 100%, concretizou Rodrigo Pinto Barros.
“É um número [de ocupação hoteleira] muito bom, dadas as circunstâncias e o momento por que estamos a passar”, comentou o presidente da Aphort, referindo-se à crise económica e às medidas de austeridade vividas em Portugal.
Esta iminente ocupação hoteleira no Porto também se justifica com a aposta numa campanha turística de internacionalização da festa de S. João. “A campanha que se anda a fazer há cerca de um ano para a internacionalização da festa de S. João começa agora a dar os seus resultados”, observou o presidente da Aphort.

quinta-feira, 20 de junho de 2013


FESTAS DE S. JOÃO/2013 EM VILA MOREIRA
DISTRITO DE SANTARÉM

Mês de Junho, mês de festas dos santos populares. Por todo o país são inúmeras as localidades onde se festeja Santo António, São João e São Pedro.
Desta vez fazemos alusão a mais uma festividade de São João que acontecerá nos dias 21, 22, 23 e 24 de Junho de 2013 em Vila Moreira, concelho de Alcanena, distrito de Santarém.
As Tradicionais Festas Cívicas de São João de Vila Moreira que celebrará este ano a sua 97ª edição, contará com diversas atrações, entre as quais arraial com várias atuações musicais, desfile de Marchas Populares de São João, participação da Banda Filarmónica da Ribeira e DJ até de madrugada.
Destaque também para a quermesse e a gastronomia onde poderá apreciar a tão desejada sardinha assada.
As festividades contarão também com exposições culturais que poderão ser apreciadas durantes estes quatro dias.
Visite Vila Moreira e festeje em grande o São João de 2013.


SÃO JOÃO DO PORTO/2013 ESTÁ PRONTO A CELEBRAR - CIDADE TEM PROGRAMA PREENCHIDO ATÉ FINAL DE JUNHO


A festa de São João, no Porto, já está pronta a começar, com fogueiras, balões, alhos-porros, manjericos e martelinhos. A festa, no entanto, vai manter-se no Porto durante todo o mês de Junho, com várias propostas de animação.

O Turismo do Porto preparou um programa para Junho com “mais de 200 propostas para viver, semana a semana, a experiência da Festa de São João”, e onde se promete “música, animação de rua, exposições, espetáculos, feiras e mercados, solidariedade, desporto e as mais variadas atividades, para todas as idades”. 

É já na noite de domingo para segunda-feira, ou de 23 para 24 de Junho, que o Porto vai assinalar “a noite mais alegre do ano”, o São João. Na Baixa vendem-se os manjericos, cravos, erva-cidreira, “alho-porro” e os martelinhos, são ateadas fogueiras na rua, e à meia-noite o fogo-de-artifício, ou fogo de S. João, é lançado a partir do rio. A multidão segue para a Ribeira, e para as duas margens do Douro para assistir ao espetáculo, e o céu é colorido pelos balões feio em papel e com diversas cores. 

O circuito da noite de São João inclui o Bonfim, a Ribeira, Baixa e Fontainhas, o Lordelo do Ouro e Miragaia e a Foz, e nas Fontainhas e nos Aliados vão ser realizados bailaricos. 
Nas ruas da cidade vêm-se as cascatas, que representam em miniatura lugares da cidade e costumes ancestrais, casas, caminhos, figuras de barro e animais e das quais a mais famosa é a das Fontainhas. 
No dia 24, o rio Douro é palco da XXX regata de barcos rabelos que parte da Foz do Douro até à Ponte Luís I e com o Arraial Minimal. 
O caldo verde com broa, carneiro, anho, sardinha assada, salada de pimentos, leite-creme e bolo de São João acompanhados pelo vinho do Porto são a ementa tradicional do dia de São João no Porto. 
Além da Noite de São João, a cidade mantém uma programação animada durante o mês, com mercados de rua, nos Clérigos, no Cais da Ribeira, ou na Praça Carlos Alberto, iniciativas desportivas, com “O Porto em Boa Forma”, com sessões de ginástica, cardiofitness, yoga, percursos a pé, corridas, aulas de Kuk Sool Won, torneios de futebol, exposições, ciclos de cinema, o circuito da Boavista – Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (28 a 30 de Junho), Festa da Caricatura do Porto Cartoon, Ranchos em Arruada (23 de Junho), concerto de São João pela Orquestra Sinfónica do Porto/Casa da Música, concertos Vodafone, o circuito gastronómico do cabrito de São João, oficinas para crianças construírem balões, entre outros. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013


S. JOÃO DO PORTO/2013
A NOITE DE TODAS AS EMOÇÕES E… RECORDAÇÕES!



Agora, vamos recuar uns anitos e, assim, recordar outras Festas de S. João do Porto. Falamos com gente que viveu e vive intensamente os festejos, deixando-nos, de seguida, os seus testemunhos. Há, realmente, coisas verdadeiramente interessantes relatadas porAntónio Fernandes, responsável pelo Rancho Folclórico do Porto, Júlio Couto, historiador, e Maria de Lourdes dos Anjos, nossa colaboradora, mas, neste caso, na qualidade de escritora e que através das suas obras tem enfatizado o “nosso” santo rapioqueiro.

ANTÓNIO FERNANDES
(Rancho Folclórico do Porto)


 “O S. João do Porto representa, acima de tudo, uma manifestação de alegria tripeira; o libertar de tensões; um convívio universal, e uma demonstração que o povo é pacífico, porque o público junta-se nas ruas e não é precisa polícia para manter a ordem. Nesse dia (24jun) o Rancho Folclórico do Porto comemora o seu aniversário, o que fazemos sempre no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, e também espetáculos em diversos pontos da cidade”.

S.JOÃO/INSTITUIÇÃO  “O S. João do Porto está, praticamente, institucionalizado, porque ele é conhecido em muitas partes do mundo. Agora, deve, efetivamente, haver uma maior internacionalização da Festa através dos serviços camarários, porque a nível nacional… nem pensar nisso! Os senhores do poder só pensam em Lisboa e o resto é paisagem. A nível do Porto devia fazer-se uma maior divulgação do evento.”
S. JOAO/ ATUAL “O S. João do Porto é isto! É o povo ir para a rua a dar largas à sua alegria, a extravasar frustrações… é aquilo que há de mais típico e de mais popular da alma do povo. Esta é a festa mais importante do País! O S. João não é só festejado no Porto, mas o da nossa cidade é o que atrai mais gente e mais manifesta a alegria.”
S.JOÃO/RECORDAÇÃO  “A recordação mais engraçada que tenho do S. João do Porto foi a primeira vez que perdi uma noite fora de casa. Eram já quatro da manhã e, com os meus amigos, esperei pelo nascer do dia. E, depois, aquele contentamento de andarmos na rua, de darmos com o alho-porro! Infelizmente, os malditos “martelinhos” substituíram o alho-porro. As tradições são isso mesmo, mas perde-se ou vai perdendo-se a origem do seu nascimento. Isso dos “martelinhos” surgiu numa Queima das Fitas, aqui no Porto, durante a qual um senhor lembrou-se levar para o Cortejo os tais martelos e aquilo ficou até aos nossos dias”.
S. JOÃO/ITINERÁRIO DA NOITE – “É ir às Fontainhas e à Ribeira, ainda que, agora, a festa esteja espalhada por muitos locais da cidade. Na freguesia do Bonfim, por exemplo, há comunidades que fazem o seu próprio S. João. Enchem os seus balõezinhos, fazem os seus enfeites, põe música gravada e organizam assim os seus bailaricos. O típico é o S. João das Fontainhas… o S. João do Bonfim. Mas não foi sempre aí, porque o S. João: antigamente, festejava-se no Bonfim, na Lapa e em Cedofeita. Esta é uma festa que ninguém sabe quando começou, mas a primeira referência que há ao S. João do Porto é feita pelo cronista de D. João I, Fernão Lopes. O rei veio cá ao Porto, e o cronista escreveu que foi numa altura em que se fazia uma grande Festa na cidade. Até nem se sabe porque se começou a utilizar o alho-porro, há muitas histórias sobre isso! Há quem diga que é um símbolo fálico, devido às festas de Dionísio. Há uma outra: no Porto houve um santo chamado João, isto no século IX, e esse Santo morreu em Tuy e ele era protetor das doenças de garganta, e como isso se curava com alhos e com cebolas, se calhar, em homenagem a esse santo, passou-se por cá a usar o alho-porro”.
S. JOÃO/GASTRONOMIA “O prato típico do S. João é o anho! Agora, na noite, come-se muitas sardinhas e farturas. O anho come-se no dia, mas na noite, é o café com pãozinho quente a sair das padarias. O anho come-se no dia regado com um bom vinho, o tal que alegra o coração dos homens e das mulheres. E para ornamentar, temos sempre o manjerico, assim como a cidreira. Mas há um cheiro bem próprio do S. João: o das tílias. Das tílias que havia na Avenida Rodrigues de Freitas. Para mim é o cheiro que marca o S. João. E depois o alho-porro que tenho, de um ano para o outro atrás da porta, mas não por superstição, e também se usava os cravos e as plumas”.

JÚLIO COUTO
(Historiador)


 “O S. João do Porto está ligado à minha ideia de Liberdade, ou seja, a primeira vez que tive autorização para chegar tarde a casa foi, precisamente, no S. João, tinha eu os meus quinze anos. Como residia, onde nasci, em Miguel Bombarda, a coisa era fácil, porque o S. João começava ali pelos “Leões”. Num grupo de amigos, levamos o alho-porro e lá íamos por aí abaixo. Saltávamos as fogueiras na Praça à beira do “Cavalo”, subíamos a rua de Santo António, atual 31 de Janeiro, íamos ao Bolhão buscar erva-cidreira. Voltávamos à Praça da Batalha e depois rumávamos às Fontainhas. Era lá que estava o S. João. A gente fala muito do S. João do Porto, e eu desafio a encontrarem uma imagem ancestral do S. João, como acontece com a do Santo António, nos sítios públicos! O S. João foi aquela coisa postiça que nos arranjaram, que é na Igreja para tapar o solstício de verão e para, depois, os Almadas passarem o lustro no filho do rei. Então, a única imagem de S. João a batizar Cristo estava nas Fontainhas, e nós tínhamos que ir às Fontainhas. Além do mais, era do outro lado das Fontainhas, da encosta de Gaia, que se lançava o fogo. E depois havia a cachoeira de fogo a cair da ponte D. Luiz para o rio.”

S. JOÃO/RECORDAÇÃO - “O facto de constatar a liberdade que nós dávamos a toda a gente, porque o S. João não tinha polícia na rua, e nem era preciso! Por duas vezes recebi, no Porto, e, precisamente numa noite de S. João, os “tops” da NATO. Andei com eles e respetivas mulheres, e enfiei-os na Ribeira, para o “Fogo”, Eles começaram a olhar para aquilo, e diz-me um deles, que, por acaso, era um almirante americano: “vocês têm isto muito bem enquadrado!” Você vê aquele barquilho que está ali no rio? Pois, disse-lhes eu. Está lá o primeiro-ministro, o presidente da Câmara do Porto e quando de lá saírem vão levar porrada de criar bicho. Isto não é bater… é saudar as pessoas!”Isto foi há dez, onze anos! O S. João era a liberdade de aproximação de rapazes e raparigas…”
S. JOÃO/ITINERÁRIO DA NOITE  “O S. João sofre de uma terrível doença que foi a expulsão das gentes do centro da cidade para os bairros periféricos. Bem! Recordo-me de ir dar uma aula, aqui a um colégio, e ter de ler um documento, assinado por um responsável da Câmara, que referenciava o S. João como padroeiro da cidade do Porto. Ora, o S. João nunca foi o padroeiro da cidade do Porto… a Vandoma é agora, o primeiro foi o S. Vicente!
Quanto ao itinerário… ao roteiro, aconselho o amigo, amiga, leitor(a), que venha aqui à minha beira, aqui à Fontinha, à Fundação do Zé Rodrigues para ver uma cascata extraordinária. Como sabe, durante muitos anos, fiz parte do júri do Concurso de Cascatas do Porto, e este homem recebeu já um prémio e continua a fazer cascatas todos os anos. É uma lindíssima cascata! Agora, há muitas cascatas na cidade, mas esta é a primeira a ver. Depois… é ir por aí até aos “Leões” passando pela Rua dos Homens Casados. Versão oficial: Mártires da Liberdade. Pegar no alho-porro – por amor de Deus não me venham lá com martelinhos! O alho-porro é para desejar a toda a gente felicidade. Agora, com os martelinhos dá-se marteladas em qualquer lado! Pronto. Já estamos nos “Leões”. Agora temos dois caminhos. Um, é ir até às Fontainhas. Já agora, recordo-me que o dr Oliveira Salazar zangou-se connosco porque dizíamos muitas maldades, sendo assim, proibiu o feriado sanjoanino como também as iluminações públicas. Só que o Salazar não nos conhecia. Decretou, mas lixou-se, porque os comerciantes abriram as luzes das montras e nós andávamos com isqueiros toda a noite, mas debaixo de telha, porque eles eram proibidos, mas sem problemas se fossem usados em casa (debaixo de telha) e assim andávamos com um bocado de telha no bolso e com os respetivos isqueiros. Depois das Fontainhas – e ainda relativamente ao itinerário da noite – descer a calçada da Corticeira (quando eramos novos demorávamos mais tempo a descer a rampa, porque havia lá ruínas de uma fábrica, que davam muito jeito para por lá se descansar com umas pequenas) até à Ribeira. Aí, ver o Fogo e depois ter uma noção do que é o movimento do Porto no dia da nossa democratização.”
S. JOÃO/GASTRONOMIA – “O nosso prato era e é o anho, que se comia e come na noite de S. João, de tal maneira que as camionetas vinham vender os animais para junto da ponte de D. Luiz. Apareciam carregadas de anhos vivos. Escolhíamos um ou dois, eles matavam-nos, estripavam-nos e esfolavam-nos, deitando as “sobras” ao rio. Depois, levávamos o anho para assar. Havia também as sardinhas que são uma maravilha assadas no forno. Quanto às sardinhas assadas na brasa, elas só foram introduzidas no Porto por uma imitação do Sto. António de Lisboa, numa altura em que não havia dinheiro para comprar anho. Começamos, então, a comer a nossa sardinha de Matosinhos, isto tudo sempre bem “regado”! Alguém come anho ou sardinhas bebendo água?! Não! E havia outra coisa que era imprescindível: à meia-noite, o cafezinho com pão barrado de manteiga. Na casa de um tio meu, que morava numa “ilha”, ali na Praça da Alegria, ia sempre tomar o cafezinho, comer o pão com manteiga, e levar duas “coroas” para ver a Cascata em Movimento nas Fontainhas, isto antes de começar o Fogo, porque depois dele começar… não havia conversa!”
S. JOÃO/INSTITUIÇÃO – “A coisa mais estúpida que não se fez, ao longo destes últimos anos, foi valorizar o S. João como festa autêntica da cidade. As “farras” em Valencia (Espanha) comparadas com o nosso S. João são uma brincadeirinha, no entanto, têm lá um milhão de pessoas, e nós, por cá, continuamos a não saber propagandear o nosso S. João. E, hoje, isso era preciso mais do que nunca. Se, neste momento, estamos com a corda no pescoço, a precisar de dinheiro, a precisar de turistas e a precisar de movimento, não se divulga a Festa porquê? O presidente da Câmara devia arranjar um vereador só para o S. João. Só não defende isto quem não for do Porto! Este S. João tem de ser, uma vez mais, rapioqueiro, ainda que tenha desaparecido, de certa forma, a base da nossa rapioca, que eram os bailes nos bairros e desses bailaricos partiam as rusgas. Recordo-me que pagávamos dez tostões para dedicar um disco. Havia o gira-discos, e eles antes de passar a música pelo altifalante, anunciavam a dedicatória, tipo “O senhor fulano de tal dedica este disco à menina fulana de tal!”. Dançava-se ao meio, para depois se tirar duas. Quando chegávamos, lá para a uma hora, alguém dizia: “Vamos todos para as Fontainhas!”, e toda a gente pegava, então, no que tinha à mão – testos, tachos, panelas, às vezes aparecia uma viola ou um cavaquinho – e ia tudo em rusga cantando e brincando.”
  
MARIA DE LOURDES DOS ANJOS
(Escritora) 

 “O S. João do Porto, antigamente, tinha um outro sentido, era uma noite de liberdade e sem exageros. A uma menina tudo parecia mal. Mas era, realmente, e apesar de tudo, uma noite de liberdade, Toda a cidade tinha um cheiro especial. O povo era povo sem títulos ou brasões. O alho-porro batia da mesma forma na cabeça do doutor, como na do operário. Era uma noite diferente; uma noite de liberdade sem libertinagem! Havia polícia? Havia! Os piores deles eram os sem-farda, e que faziam uma ronda muda… nunca cega! Pelo contrário: com os olhos muito mais abertos, porque eles sentiam que o povo era “perigoso”. Eles sentiam que, naquela noite, não éramos um rebanho com medo do cajado do pastor e, muito menos, com um cão atrás de nós a não deixar-nos virar para a esquerda ou para a direita.”

S. JOÃO/RECORDAÇÕES “Recordo-me com saudade, do cheiro a pão quente à meia noite e ao café que a minha mãe fazia na… cafeteira. Era uma mistura de café e cevada que se fazia, pelo menos em casa dos meus pais, e depois, como tinha na minha rua (Bonfim) duas grandes padarias – uma a da “Sta. Clara” e a outra a “Padaria Industrial” onde hoje é a “Vidraria Carvalho” – aí havia uma paragem do elétrico, onde se “despejava” toda a gente. Portanto, muitos daqueles que vinham pendurados – alguns dos quais sem pagar bilhete – aí saiam, com as padarias a, constantemente, fazer fornadas de moletes… de pão. Então, o povo vinha a comer o pão rua abaixo e, muitas vezes, sentavam-se pelo passeio fora – alguns deles traziam café. Outra das vezes, fazia-se uma coisa mais engraçada: como por ali havia bastantes “ilhas” (havia, como há, o Bairro Higiénico”, o da Miquinhas do Esgaziado” entre outras), então aquela gente punha-se cá fora a fazer café no fogareiro e todos tomavam-no, para depois rumarem às Fontainhas. Antes, porém, de lá chegarem, as pessoas iam para um bairro perto do Colégio dos Órfãos  – do Bloco – onde havia sempre um conjunto musical a tocar, onde se juntava montes de gente. Depois, na Praça da Alegria é que era a festa completa! Ah! No Bonfim ainda havia um sítio muito especial, que era as Eirinhas, por detrás da Igreja, assim como as ilhas que havia no Godim. Nesses sítios toda a gente festejava o S. João. E a malta ia por aí fora com testos, tachos, panelas e até vassouras com balões pendurados… toda a gente cantava e dançava. Para uma mulher, o S. João era complicado! Para o S. João, quando jovem, sempre fui com os meus pais, nunca fui sozinha. E mesmo poucos meses antes de me casar, não havia cá tretas! Conto-lhe uma coisa engraçada: dias antes do S. João tinha ido comprar umas louças de barro às Fontainhas. Vinha a subir o Bonfim, e o meu marido pôs-me a mão no ombro. O meu pai, que estava à porta à minha espera, perguntou-me de imediato: “O Carlos anda manco?”. Eu respondi: “Porquê”. E o meu pai: “Porque ele vinha a fazer de ti bengala!”. Está a ver?! Já para os rapazes o S. João era, na realidade, uma noite de liberdade, porque as mocinhas que estavam a servir no Porto, algumas delas muito bonitas, pediam às patroas para sair e depois… juntavam-se. E eles, como eram gajos finos, enfim! Há muita gente que nasceu nove meses depois do S.João!”

S. JOÃO /GASTRONOMIA “É o anho no dia de S. João, e, na véspera, as sardinhas assadas, com a broa quente e o caldo verde Também se fazia bastante o Cozido à Portuguesa, porque havia pessoas que não gostavam de anho. No meu tempo, havia uma coisa que detestava: onde é agora o bairro social de Fernão de Magalhães, muitos negociantes de gado, iam para lá vender o carneiro e lá o matavam. Lembro-me, perfeitamente, de os meus pais perguntarem-se quando aquilo seria proibido. Eles vinham com carros de bois carregados de carneiros pequeninos; soltavam ali os bichos; as pessoas iam e escolhiam o animal e eles matavam-nos à frente de toda a gente.”

S. JOÃO /ITINERÁRIO DA NOITE “Sair do Bonfim, ir ao Padrão, descer a Rua Formosa, passar pela Câmara do Porto – sempre fui avessa à Ribeira. A Ribeira só agora é que é moda, com um palco onde estão as meninas meias vestidas meias por vestir -, depois uma passagem pela Estação de S. Bento e desaguar perto das Fontainhas. Não íamos lá abaixo porque havia muita gente… muito aperto! Ainda íamos até S. Lázaro, onde uma banda tocava e gente dançava. Lembro-me de na esquina da rua das Fontainhas haver uma tasca cheia de gente, onde faziam os “batismos” e depois pela Avenida Rodrigues de Freitas até ao Largo Soares dos Reis, onde se formavam muitos grupos de rusgas. As rusgas eram uma coisa fantástica! Na altura não havia a dispersão da Boavista. Agora vai tudo para a Foz, para tudo ir dormir para a areia. Não havia disso! Era o bailarico das Fontainhas. Juntava-se tudo muito pelas ilhas. E depois, as cascatas … coisa lindíssima! As cascatas à porta das ilhas, com os miúdos a pedir pela rua “um tostãozinho para o S. João”. Uma delas era muito bonita e estava no quartel dos Bombeiros Voluntários Portuenses, na Rua de Fernandes Tomás. No dia de S. João é que íamos às Fontainhas comer farturas, andar nos carrocéis e comprar louça de barro. Na noite não, a confusão era muita e muitos eram também os carteiristas.”
S. JOÃO/ ATUAL  “Há algum tempo que o S. João não me diz muito… também já não tenho grande força nas “canetas”. Gosto de ir ver o S. João de longe, mas não acho graça nenhuma aos palcos da TV para as meninas dançarem e cantarem as coisas mais rafeiras que há. Acho que começa a faltar o espírito solidário das pessoas. Delas fazerem a sua festa para nós fazermos a nossa festa. Era a largada dos balões, e havia outra coisa: nós, no Bonfim – não tenho ideia de ver isso noutras ruas da cidade -, como sabíamos que aquela gente das “ilhas” era muito vaidosa, enfeitávamos as varandas com balões. Havia uns balões que levavam uma velinha dentro, e nós lá por casa, enfeitávamos a varanda com uns fios elétricos e umas lampadazinhas pequenas que se compravam num eletricista da rua. Esses balões, que pareciam umas harmónicas, eram colocados de casa para casa”.
Testemunhos na primeira pessoa do singular, com muitos a comprová-lo no plural Agora?! Agora, é só sair à rua e desfrutar de uma festa ímpar no mundo!